terça-feira, 22 de novembro de 2016

O Reino Encantado para Tolkien

O Livro Árvore e Folha de JRR Tolkien é composto pelo ensaio Sobre Contos de Fadas (On Fairy-Stories) e um pequeno conto, o Folha, de Migalha (Leaf by Niggle). Na presente postagem pretendo começar a tratar dos temas discutidos no ensaio, mais especificamente, à luz de Tolkien, buscar a natureza de um Conto de Fada.

Nas primeiras páginas, Tolkien faz uma distinção dos termos "Faërie" e "fairy". A primeira citação para fada no Oxford Dictionary é do poeta Gower: as he were a faierie [como se ele fosse uma fada]. No entanto, ressalta Tolkien, o que Gower realmente escreveu foi as he were of faierie [como se fosse de Faërie (isto é, Reino Encantado)].

Dessa forma, os contos de fadas não são na verdade histórias sobre fadas ou, em linguagem moderna, elfos, mas histórias sobre o Reino Encantado, Faërie, o estado no qual as fadas existem. Contém, portanto, muito além de fadas, bruxas, trolls etc, mas também deve ser considerado tudo o que há nela: árvore e pássaro, vinho e pão, e mesmos os seres humanos; isto é, todos os elementos presentes na história encontram-se sob a condição de encantamento, por assim dizer.

Após essa definição, Tolkien busca diferenciar o Conto de Fadas de outros tipos de composições. A princípio, ele diz que a sátira pertence à classe das histórias de viajantes, que relatam maravilhas a serem vistas nesse mundo mortal, nalguma região do próprio tempo ou espaço. Em seguida, considera inadequada uma história que use o mecanismo do Sonho. Mais à frente (noutro post, talvez) veremos que no Sonho não existe Arte, pois a Arte é racional, à medida que o Sonho é irracional. Se um autor desperto, diz Tolkien, diz que seu conto é apenas coisa imaginada durante o sono, está defraudando o desejo primordial no coração do Reino Encantado: a realização, independente da mente que a concebe, da maravilha imaginada. (...) O conto de fadas não pode tolerar um mecanismo que dê a entender que toda a história em que ocorrem é uma ficção ou ilusão. Por fim, Tolkien exclui a fábula de animais do título "Conto de fadas" porque nas fábulas os heróis e heroínas são animais, embora ambos estejam muito vinculados devido ao elemento moral.

Obviamente, o fato de tais gêneros não se enquadrarem na definição de Contos de Fadas não significa que algum deva ser mais ou menos divertido que outro...

Por hoje é só... :P Em postagens posteriores, pretendo continuar a escrever sobre a "magia" do Reino Encantado tomando por base Sobre Contos de Fadas... até breve! :)

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